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  • Jefferson Flausino

Afinal, o que é Yoga?

Atualizado: 27 de Mar de 2018


A palavra Yoga (em sânscrito: योग) pode ser traduzida como "adequação". Deriva da raiz yuj, que significa "integrar" ou "unir". Poderíamos encontrar vários significados para a palavra, dependendo do contexto, mas nos deteremos na ideia central do termo, que sugere "adequado", "uso" ou "meio". Portanto, Yoga é: “aquilo que promove o meio para se estabelecer uma vida adequada”.


Yoga é fruto da cultura sânscrita

e um dos seis pontos de vista do pensamento hindu, Darshana. Nasceu provavelmente a Noroeste da região que hoje chamamos de Índia. Sua proposta original é ajustar a mente, no sentido de diminuir as perturbações mentais (vriktis) para que o yogi (praticante de Yoga) possa perceber, a partir de uma observação menos distorcida, as coisas cotidianas tais como são, sem a interferência deletéria do ego e, com isto, acessar o estado de libertação (kaivalya ou moksha) .


Dessa maneira, pelo esforço de acalmar as inúmeras manifestações da mente, o yogi pode atingir um estado expandido de consciência, de autoconhecimento, chamado Samádhi. E tendo atingido, pela constância da prática, muita lucidez sobre os fenômenos naturais da vida, centrando a mente em sua natureza mais autêntica (o Dharma), o yogi consegue acessar a libertação (kaivalya) de estados inferiores de existência, aqueles que produzem sofrimento demasiado, não natural, nutridos por uma mente ilusória e perturbada. Portanto, sinteticamente, o princípio do Yoga é: aquietar os pensamentos, organizar as funções mentais e produzir expansão da consciência.


O Yoga, enquanto conceito e técnicas mentais que nasceu há mais de dois mil anos, foi codificado por um antigo sábio hindu chamado Patanjali. Essa personagem sistematizou a primeira obra literária a tratar o tema Yoga com relativa profundidade. Patanjali apresenta nos sútras (linha de raciocínio) quatro capítulos (padas), chamados de Yogasutras, o postulado do Yoga. Nesses capítulos, o sábio Patanjali expõe numa linha de pensamento prática, como galgar o autoconhecimento por meio de técnicas e conceitos de reeducação mental e comportamental. Outras obras são também relacionadas ao Yoga, como a Bhagavad-Gita, Hatha Yoga Pradipika, Shiva Samhita e algumas Upanishads. Todavia, os Sutras de Patanjali é a obra mais expressiva e aceita pelo hinduísmo como um Darshana.


Afinal, o que é o Yoga se não o meio, a ferramenta que nos conduz à libertação!


Uma das maneiras tradicionais de ensinar o Yoga doutrinário é por meio de oito componentes, chamado de Ashtanga Sádhana (prática em oito partes) – que é um tanto diferente do Ashtanga proposto em muitas escolas atualmente. Na estrutura original do Ashtanga Sádhana, temos:


1. Yama (normas de convívio com os seres humanos);

2. Nyama (normas de autoaprimoramento);

3. Ásana (assentar-se no Eu mais autêntico);

4. Pránáyáma (controlar e expandir a força do pensamento);

5. Pratyahara (recolhimento sensorial);

6. Dhárana (concentração);

7. Dhyána (meditação);

8. Samádhi (autoconhecimento).


Essas oito partes de uma prática regular de Yoga (tradicional) estão descritas no capítulo II – a Prática, dos Yogasutras. Mas é importante fixar que o Yoga não é definido apenas por esses oito componentes. A prática yogi também é formada por outras técnicas e conceitos que, no conjunto da obra, dão as ferramentas certas para se estabelecer o Yoga na vida do praticante de modo a atingir, com essa prática, todos os níveis de consciência sugeridos pela doutrina do Yoga. Podemos, portanto, compreender o Yoga antigo como uma técnica meditativa, de autoconhecimento através de exercícios mentais que estimulam a concentração, cognição cerebral e correção da observação dos fenômenos naturais. Bem como uma técnica para poder penetrar a própria consciência pela meditação e então desvendá-la.


A outra compreensão do Yoga, na visão moderna, é a prática de técnicas corporais e respiratórias nas quais, através de exercícios físicos inteligentes, o praticante consegue aprimorar a saúde física e, consequentemente, a saúde mental. Nesse sentido, a releitura da prática do Yoga como uma técnica de gerenciamento da saúde é bem-vinda. Porém, não podemos esquecer a prática antiga, enquanto meditação, se assim desejamos compreender o Yoga e se queremos dizer e sentir que praticamos Yoga. Caso contrário, o que fazemos é apenas exercício físico, que obviamente é excelente, mas não retrata o cenário autêntico do Yoga ao praticante mais fiel à tradição.


É possível unir a tradição à modernidade, a prática meditativa e a observância dos ensinamentos de Patanjali à pratica de exercícios corporais e respiratórios. Essa simbiose entre o antigo e o moderno já foi comprovada cientificamente como algo extremamente funcional, há pouco mais de cem anos, por um monge hindu contemporâneo chamado, Swami Kuvalayananda. Esse importante professor, através de pesquisas sérias e aceitas por diversas correntes terapêuticas e filosóficas na Índia, desenvolveu técnicas corporais e respiratórias para incrementar a saúde e acelerar o processo de evolução humana. Ele fez uma releitura do Yoga antigo dando um novo formato à prática, porém não excluiu sua estrutura original, apenas sistematizou de uma maneira diferente. Maneira esta que é praticada fortemente hoje na maioria das escolas de Yoga no mundo. Pois, se tudo está em permanente evolução – assim como eu e você –, aprimorando-se constantemente e seguindo o curso natural da vida, não seria diferente com o Yoga. Desse modo, o Yoga pode e deve ser praticado com o enfoque físico, através dos exercícios corporais vigorosos e também deve ser desenvolvido com a mente, através da meditação e dos ensinamentos de Patanjali, em conjunto com outras obras suplementares.


Concluo convidando você a desvendar o que existe de mais precioso em sua vida: o autoconhecimento e libertação! Vamos nessa jornada?


Jefferson Flausino

São Paulo, primavera de 2017


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