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  • Jefferson Shiun Flausino

Karma - A lei da causalidade

O princípio do sofrimento, da ação e reação.


O conceito Karma originalmente é fruto da cultura Hindu e, segundo este conceito, Karma é uma lei atemporal sem qualificação, a qual defende que qualquer ação, por menor que seja, volta ao indivíduo que a produziu. Ou seja, aquilo que você pensa, fala e faz retorna de alguma forma. Também, conforme o mesmo conceito, o Karma não conhece limites de vida-morte, pois é uma das leis universais que regula a ordem natural das coisas e, sendo atemporal, não possui fim. Assim sendo, tenha cautela com seus pensamentos, palavras e ações, pois sua atenção é o princípio do Karma.


Gostaria, portanto, de convidá-lo a investigarmos o princípio do sofrimento – segundo a Lei do Karma.


Compreendendo que o Karma é uma lei atemporal, que existe para regular a ordem natural das coisas, que, em sua plenitude, não possui qualificação como bem e mal, certo e errado, verdade e mentira, e que por sua própria natureza não distingue vida e morte. Podemos compreender, logo, que nada escapa aos olhos do Karma: nada nem ninguém estão livres, pois estamos, quer queiramos ou não, imersos intimamente em uma rede de leis universais, e uma das principais é o Karma. Assim sendo, podemos compreender a ideia central de Karma (observada pelos Hindus há milênios), mas ainda nos escapa a compreensão real do que somos em relação ao Karma, ou seja, somos escravos dessa lei. Isso então nos leva a uma questão:

Se o Karma governa parte das leis do universo e de minha existência, como posso (se possível) definir meu próprio Karma?


Investiguemos com atenção a natureza da mente, no seguinte sentido: do que a mente é formada? De experiências, vivências, pensamentos e aprendizados – isso é o conhecimento. Logo, nos tornamos condicionados em pensar, falar e fazer de determinada forma, e esse condicionamento produz o Karma humano como uma ação sistêmica, que nos leva a determinados fins e condições. Todo esse processo, fruto do condicionamento kármico, produzido por nós mesmos, acontece quase que automaticamente, como se fosse uma força subjetiva produzindo resultados objetivos: é exatamente isso o que acontece. Então, a natureza de nossa mente permanece eclipsada pelos aspectos externos de nossa existência como, por exemplo, trabalho, consumo, acúmulo de bens e tantos outros excessos que perseguimos. Mas a mente verdadeira do Ser é outra coisa e tal descoberta começa quando questionamos o porquê da existência: por que faço tais coisas da mesma maneira e sempre? Por que não me permito mudar? Por que aceito muitas vezes e quase que incondicionalmente ser conduzido a pensar, falar e fazer diferentemente do que eu realmente gostaria? Nessa linha de raciocínio seguiríamos e isso é muito bom!


É preciso convencer-se de que pensamento é energia, portanto, essencial para a vida. Numa escala de força, podemos compreender que o pensamento é a energia mais poderosa que produzimos, do pensamento nascem as palavras e as ações. O pensamento é a somatória de todo conhecimento acumulado, é a matéria-prima das obras humanas. Do pensamento nasceram todas as grandes descobertas científicas, avanços em diferentes áreas do conhecimento e comportamento. O pensamento, portanto, é a base do Karma humano, é por onde temos que começar a compreender a natureza do Karma e o sofrimento humano tal como ele é.


Quando não costumamos tomar a dianteira das coisas e deixamos os outros decidirem por nós, dizemos que temos o Karma não potencial, o que é como uma flecha guardada na aljava. Podemos, assim, controlar 1/3 do nosso Karma, porém, nessa condição nada acontece por nossa vontade e sim pela vontade alheia, afinal, como não decidimos, escolhemos ou fazemos, alguém decide, escolhe e faz por nós. Isso é muito conveniente para a maioria das pessoas e, se você se encaixa nesse cenário, não reclame dos resultados!


Agora, quando estamos prestes a decidir, escolher ou realizar algo, é como tirar a flecha da aljava e tencioná-la no arco. Nessa condição controlamos 2/3 do nosso Karma, então, apontamos a flecha para o alvo e decidimos lançar ou não, ou guardar de volta na aljava. Chamamos isso de Karma Potencial. Nessa fase, muitas vezes temos dificuldade de escolher com assertividade, temos muitas dúvidas e receios, afinal, estamos prestes a decidir os desígnios de nossa vida, e isso é natural. Porém, em algum momento a escolha precisará ser feita, e o que definirá sucesso ou fracasso é a capacidade de enxergar além das aparências, além das ilusões e dos achismos, além das honrarias pessoais. O bom resultado de uma escolha está intimamente ligado à compreensão da própria mente, ao entendimento da consciência, do cenário a que se pertence e circunstâncias em que se permite estar, ou seja, ver a partir do coração do Karma.


Pense que toda e qualquer decisão produz energia, e essa energia volta para o emissor. Então, não é tão difícil assim ter uma compreensão mais adequada da vida a que pertence: o que se dá se recebe! Dê trabalho árduo e será justamente recompensado. Falta de entusiasmo produz fracasso. Olhe com devoção seus ideais, confie e trabalhe por eles com resignação e lealdade, siga em frente com determinação e coragem. Independentemente das adversidades, resultados parciais ou perdas, acredite que pode e consegue, e certamente conseguirá! Trace a melhor estratégia, pense, pondere, recue se necessário, mas mantenha a perseverança como combustível e a paciência como fiel companheira. Mantenha-se resignado a seus valores e ideais, não permita que os fracassos alheios te inspirem a desistir, permita que seus fracassos momentâneos te impulsionem a seguir em frente com mais força e aprendizado, com mais energia e determinação. Se você se encaixa nesse cenário, certamente possui um bom Karma.


O terceiro estágio do Karma é quando lançamos a flecha em direção ao alvo. Nessa condição não controlamos mais o nosso Karma. Chamamos isso de Karma Projetado. Ao lançarmos a flecha, ao fazermos a escolha e então a ação efetiva, não temos certeza do sucesso, é impossível saber aonde nossas escolhas e ações nos levarão, porém, se treinarmos constantemente a atenção plena, o cuidado com pensamentos, palavras e ações, a observação do “inobservável”, certamente acertaremos mais e erraremos menos.


Não culpemos pessoas e circunstâncias pelos resultados negativos que adquirimos. Não apontemos o dedo para os defeitos alheios e não condenemos as imperfeições. Somos os únicos responsáveis pelos resultados não esperados e circunstâncias nas quais nos encontramos: não estivemos atentos o suficiente para perceber o equívoco antes que acontecesse. Todavia, podemos aprender não com os erros, mas com os resultados deles. Aprendamos a observar os próprios defeitos e imperfeições para que possamos corrigi-los e servir à vida com mais dignidade e ética. Quando paramos de olhar para fora, na tentativa de encontrar as respostas para nossas agruras, e começamos a olhar para dentro, sem a interferência do ego, despertamos e compreendemos a natureza da nossa própria mente. Começamos, portanto, a identificar o princípio do sofrimento, então algo mágico acontece: libertamo-nos do sofrimento e nos transformamos naquilo que é preciso ser e realizar. Comungamos o Dharma com o Karma.


Por fim, Karma não é uma coisa necessariamente ruim, como revelado, Karma não possui qualificação, logo, somos e temos aquilo que pensamos, falamos e fazemos; apenas isso. Portanto, se Karma é Ação, trate de se projetar no mundo de uma forma construtivamente efetiva, caso deseje colher bons frutos da vida que constrói.


Jefferson Flausino

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