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  • Jefferson Shiun Flausino

Karma Yoga

Atualizado: 16 de Out de 2017

A autorrealização pela ação efetiva sem o mérito da recompensa.




O pensamento, Karma Yogi, no sentido de promover e fazer sem esperar nada em troca, é a dinâmica principal de sua prática. Não há mérito quando se espera mérito.


“Ser a semente, a terra, a água que nutre, o jardineiro que cuida, a flor que germina e as pétalas que se abrem para que outros possam apreciá-la e desfrutá-la, é a missão do Karma Yogi no reino de samsara..”

Karma Yoga (em sânscrito कर्मयोग) pode ser compreendido como Ação Altruísta. A palavra Karma, do original em sânscrito, sugere ação, enquanto Yoga, sugere adequação. Portanto, podemos dizer que Karma Yoga é a integração (sanmyoga) pelo engajamento de todas as ações e seus resultados às pessoas, natureza, divindades ou a Deus. É a execução da ação desinteressada em perfeita integração com o sagrado interior de cada indivíduo, ficando indiferente dos frutos alcançados e,particularmente, mantendo o equilíbrio e o senso de adequação diante da vitória ou derrota, dos ganhos ou perdas.


Segundo Swami Shivananda , um dos mais importantes Yogis contemporâneos, o Karma Yoga é o serviço desinteressado para a humanidade. É o Yoga da ação que prepara o antahkarana (coração e mente) para receber a Luz Divina, ou o Conhecimento do Eu mais autêntico (swadyaya).

A ação, nutrida pelo desejo incessante, aprisiona o indivíduo ao mundo dos fenômenos naturais (samsara) quando é governada pelo ego, quando está embutida do senso de fazer e receber. Assim, ela é, enquanto mantida pela ação e recompensa,um karma bindu, um indivíduo conectado à ação. Mas, quando a ação é desinteressada, livre da expectativa de frutos e recompensas, ela é libertadora. Então, o Karma se transforma em Karma Yoga.


A prática da ação sem recompensas pode libertar seu praticante dos medos produzidos por maya (ilusão) e dos pesares contínuos. O praticante de Karma Yoga deve esforçar-se para libertar-se da ambição dos falsos caminhos, do desejo incessante, do ódio e do egoísmo crescentes. Deve praticar para adquirir um coração benevolente, amar a comunidade onde vive independentemente das crenças, valores e condições daqueles que estão direta e indiretamente relacionados a ele. Ao praticar o Karma Yoga, essas e outras qualidades vão se tornando parte indivisível do indivíduo.


Mahatma Gamdhi (Mohandas Karamchand Gandhi - 1869/1948) utilizou e difundiu fortemente uma das normas éticas do Yoga: o Ahimsa (Yama), a não violência, como principal prática política que alimentava a resistência pacífica contra o jugo britânico na Índia. A Não-Violência, Ahimsa, é uma das principais práticas de quem persegue o Karma Yoga. É preciso, nessa forma de Yoga, esforçar-se muito para não gerar violência nas três esferas de manifestação da consciência: Pensamentos, Palavras e Ações. Essas três maneiras de expressar-se no mundo (pensar, falar e fazer) precisam encontrar harmonia para coexistirem sem confrontos e eliminar a dinâmica da violência em suas diferentes maneiras de se fazerem presentes no mundo.


No Karma Yoga citado no Bhagavad-Gita poeticamente Sri Krishna ensina a Arjuna, príncipe guerreiro, sobre o Yoga e Samkhya. Sri Krishna compartilha com Ahinsa que caso ele pratique a ação desapegada (Seva ou Karma Yoga) se tornará livre do cativeiro kármico do qual surgem os ciclos repetidos de renascimentos e mortes (2.39 e 2.40). O Karma Yoga é um dos temas centrais do Bhagavad-Gita e permeia toda a obra.Nos versos 2.47 a 2.51 pode-se ler o básico sobre o Karma Yoga.


Somente tens direito ao trabalho, não a seus frutos. Que esses frutos nunca sejam o motivo de seus atos, e nunca deverás ficar inativo.

Faça as suas ações no melhor de suas habilidades, Ó Arjuna, com sua mente ligada ao Senhor, abandonando a preocupação e o apego egoísta para os resultados, permanecendo calmo tanto no sucesso como no fracasso. O serviço sem egoísmo traz paz e tranquilidade da mente, que conduz à união com Deus.

O trabalho feito com motivo egoísta é inferior e está longe do serviço desapegado. Portanto, seja um trabalhador desapegado, Ó Arjuna. Aqueles que trabalham apenas para o gozo dos frutos dos seus trabalhos são infelizes (porque não se tem controle sobre os resultados).

Um Karma-Yogi, ou uma pessoa desapegada, torna-se livre tanto da virtude como do vício em sua vida. Portanto, esforce-se pelo serviço desapegado. Trabalhar o melhor das suas habilidades, sem apegar-se egoisticamente pelos frutos do trabalho, chama-se Karma Yoga ou Seva.

Os Karma Yogis estão livres do cativeiro do renascimento, devido a renúncia do serviço desapegado aos frutos de todo trabalho, alcançando um divino estado de salvação ou Nirvana.


Karma Yoga não é uma prática física, no sentido de se fazer técnicas corporais, como vemos na maioria das escolas de Yoga, mas uma prática comportamental, uma dinâmica diferente de pensar, falar e fazer. É um comprometimento com valores e ideias que estão acima da individualidade e dos condicionamentos mesquinhos do praticante. Karma Yoga é um caminho direto ao Sagrado que habita o coração dos seres humanos. Karma Yoga é, sabiamente, retornar para Casa, retornar para os braços do Pai Celestial e, então, desfrutar sem desejar desfrutar da alegria de ver o sorriso na face de Deus.


A ação efetiva sugerida pelo Karma Yoga é o aspecto mais importante da condição humana, pois bons pensamentos e palavras são importantes, mas sem realizá-los na prática servem muito pouco à humanidade. Por exemplo, quando perguntavam à Mahatma Gandhi porque ele não falava sobre o hinduísmo aos pobres e miseráveis e apenas preocupava-se em alimentá-los, Gandhi sabiamente respondia: "Para o homem que sente fome, Deus só pode aparecer na forma de pão".


Toda ação nasce do pensamento. Pensamento é a matéria-prima de qualquer realização prática e efetiva. É do pensamento que todas as grandes obras da humanidade nasceram. Mas é importante manter o esforço em harmonizar pensamentos com palavras, e palavras com ações. O Karma Yogi deve esforçar-se para integrar harmoniosamente palavras, pensamentos e ações. Ou seja, aquilo que você pensa é o que você fala, e aquilo que você fala é o que você faz. Essas três esferas de ação (pensamentos, palavras e prática) precisam unir-se o máximo possível para não haver distúrbios na mente e desvios de comportamento. Assim, o Karma Yogi permanece menos suscetível ao sofrimento demasiado ou desnecessário, ele se aproxima de Deus ou reencontra-se consigo mesmo, no sentido de produzir contentamento e satisfação cotidiana.


Em Karma Yoga não resolve apenas querer. Pois querer é somente querer. É necessário "colocar a mão na massa", é necessário trabalhar duro por aquilo que não será desfrutado por você, é preciso esforço onde falta o esforço alheio, e isso poucos se propõem a fazer. Portanto, ser um Karma Yogi é ser as mãos e pés de Deus na terra, é ser a obra e aquele que faz a obra, é ser o sopro da realização divina onde a luz pode ser ofuscada pelas trevas.

Ser a semente, a terra, a água que nutre, o jardineiro que cuida, a flor que germina e as pétalas que se abrem para que outros possam apreciá-la e desfrutá-la, é a missão do Karma Yogino reino de samsara.


Interpretado por Jefferson Flausino. São Paulo, inverno de 2017.


Referências:

Bhagavad-Gita, por Mahatma Gandhi

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