Buscar
  • Jefferson Shiun Flausino

O que é Samádhi, a iluminação do Yoga?



Samádhi pode ser compreendido como o resultado de um esforço, de uma disciplina apropriada, de uma prática incessante e/ou aquisição do autoconhecimento por excelência. Este esforço que leva ao estado expandido de consciência, entendido no Yoga como Samádhi, promove, como desdobramento final, a libertação de estados inferiores da existência humana, como sofrimento mental demasiado, apego excessivo às ilusões, incapacidade de lidar com as emoções, fraquezas adquiridas por uma vida inadequada - regrada por hábitos mentais nocivos e condicionamentos destrutivos, dentre outras vulnerabilidades da mente humana. Mas quando conseguimos praticar apropriadamente esta disciplina, o Yoga, acessamos a sua meta, Samádhi, que, por sua vez, nos leva ao estágio final da prática, o objetivo, entendido como Kaivalyam ou Moksha, a libertação. Entenda que Samádhi não é uma faculdade mental possível apenas a quem viva nos mosteiros ou se refugia em cavernas nos Himalaias para meditar o dia inteiro. Claro que não! Samádhi é uma potencialidade da mente humana, de todos os seres humanos. É um recurso mental que qualquer pessoa pode acessar desde que tenha uma certa disciplina e constância na prática do Yoga. É verdade que o estado expandido de consciência, Samádhi, também é acessado por outras tradições meditativas, como o Budismo, por exemplo. São técnicas e escolas diferentes que promovem, de certa maneira, o mesmo resultado. É uma falácia acreditar, como muitos já me perguntaram, que os orientais meditam melhor que os ocidentais. Não há, no cérebro oriental, diferenças que comprovem isto ou que potencializem os fenômenos da meditação em quem seja de etnia oriental. O fato, sobre este mito que é mais cultural do que prático, é que os orientais observaram primeiro que ao fazer determinadas técnicas mentais, de controle sensorial, concentração, imaginação e/ou mentalização, produziam estados alterados de consciência que serviam para gerenciar e melhorar os hábitos e condicionamentos mentais. E foram, ao longo da história, aprimorando essas técnicas e, claro, acessaram como resultado, estados elevados de lucidez, compreensão sobre os fenômenos naturais e, principalmente, sobre como adequar a mente humana a uma vida mais segura e equilibrada. E a Libertação, o Kaivalyam ou Moksha como resultado do Samádhi, o que é? Podemos entender esses dois termos, Kaivalyam ou Moksha, num primeiro momento como sinônimos, antes de observá-los como conceitos, pois eles aparecem em alguns textos clássicos do hinduísmo como propostas antagônicas. Considerando, num primeiro momento, o contexto ao qual esses dois conceitos aparecem, temos de um lado o termo Kaivalyam, influenciado pela corrente filosófica naturalista Sankhya, e, diametralmente oposto, o termo Moksha, influenciado pela corrente filosófica espiritualista Vedanta. Sugerem, ambos os termos, conceitos e ideias similares para o objetivo do Yoga, que é o Recolhimento da atenção ou a Libertação de estados inferiores de existência, explicado detalhadamente nos Yoga Sutras de Patanjali - texto célebre da tradição do Yoga. Como o Yoga ensinado em nossa escola tem uma conotação mais naturalista, seguindo e respeitando a tradição de Patanjali, o fundador do Yoga filosófico, vamos nos deter, basicamente, no conceito Kaivalyam – o objetivo do Yoga. Para que você compreenda a ideia central deste incrível estado de consciência, Kaivalyam, permita-me perguntar-lhe três coisas: 1. Você gostaria de diminuir as ilusões em sua vida? 2. Você gostaria de ter mais lucidez sobre as coisas? 3. Você quer acertar mais e errar menos nas escolhas que faz? Essas três perguntas podem parecer-nos, num primeiro momento, dissertação de autoajuda, mas elas contêm, em sua simplicidade, a possibilidade de despertar um tipo de auto questionamento a fim de nos ajudar a penetrar, em profundidade, a própria consciência, no sentido de produzir um estado de percepção experiencial sobre o que é verdadeiro e falso na vida. Para que sejamos, a partir desse start, mais esforçados nesse constante treinamento de autorrealização e, como resultado, coerentes, éticos e adequados em nossa experiência de vida. Esse estado de consciência pode favorecer o entendimento das próprias impotências, que nos impedem, muitas vezes, de sermos mais assertivos em nossas escolhas e, com isso, como recompensa ao vencê-las, produzir menos sofrimento para si e para quem está à nossa volta. Kaivalyam, basicamente, é um estado mental profundo de recolhimento da própria atenção, da percepção sobre si mesmo. É sofrer menos interferência dos fatores ilusórios, vindos de fora, do mundo, para dentro da nossa mente. É perceber a vida tal como ela é, sem a interferência excessiva dos devaneios da mente. É olhar o mundo a partir do próprio Dharma – a Verdade. É conectar-se, profundamente, com as nuances mais sutis da vida, que compõem o todo ao qual pertencemos. Às vezes, quando estamos tristes, derrotados ou desmotivados, paramos para refletir sobre o porquê desse momento tão infortuno. Percebemos, na adversidade que se fez presente, que a reflexão pode nos ajudar a encontrar uma saída, uma solução, mesmo que parcial, para produzir menos danos colaterais. O auto questionamento, a reflexão, é um mecanismo natural da mente humana para diminuir os efeitos desastrosos que produzimos em nossas vidas, por escolhas equivocadas ou circunstâncias imprevistas que vieram de fora, independente de nossas escolhas, sem que tivéssemos tanta propriedade ou controle no resultado. Perceba o valor do recolhimento da atenção, da percepção, para prever resultados, para diminuir danos colaterais e, principalmente, para amortizar o sofrimento natural da vida. Imagine, então, o que seremos capazes de fazer e construir? De evitar e preservar? Se aprendemos a recolher a atenção, a refletir com propriedade, a questionar com inteligência e a observar em profundidade. Se acessarmos esse estado expandido de consciência, Kaivalyam, certamente os melhoramentos que poderemos atingir serão intermináveis. Mas o objetivo do Yoga, Kaivalyam, não funciona sozinho, como uma técnica apartada das demais. Você não consegue desenvolver esse conceito, na prática, apenas o tendo como referência principal de seu treinamento. É preciso estar atento e praticar todos os outros conceitos e técnicas ensinados no Yoga. É preciso desenvolver tudo em perfeita sintonia, ao mesmo tempo. Querer praticar Kaivalyam isoladamente é como querer praticar natação numa piscina sem água - é impossível. Vamos, portanto, fazer o Yoga com resignação e transformando a vida cotidiana no nosso tapetinho sagrado de prática.

0 visualização

​©Escola Dharma
Autoconhecimento, Saúde e Bem-Estar​

(11) 3271-0606 | WhatsApp (11) 99459-7887